Estarrecedor!

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O Coletivo de Mulheres do SINTESE “Maria José Filha” repudia veementemente o ocorrido na madrugada desta segunda, 11, no Hospital da Mulher Heloneida Stadart, em São João do Meriti (RJ), onde o médico anestesista, Giovanni Quintella Bezerra, estuprou uma mulher durante uma cesariana.
Violentar sexualmente uma mulher. Violentar sexualmente uma mulher anestesiada. Violentar sexualmente uma mulher anestesiada, no momento do seu parto. A sequência monstruosa de fatos mostra que nós mulheres não estamos seguras em nenhum lugar, nem dentro de um hospital, em uma sala de parto.
O médico Giovanni Quintella Bezerra foi preso em flagrante, graças a coragem de mulheres, profissionais da saúde, que desconfiadas da conduta do anestesista esconderam uma câmera na sala do parto e flagraram o momento em que o médico violenta sexualmente a paciente.
O ocorrido prova, mais uma vez, que a violência sexual contra mulheres não está associada a “roupa que estamos vestidas”, a nossa “conduta” ou a nossa “falta de cuidado”, mas sim ao simples fato de sermos mulheres.
Por isso, precisamos seguir a luta contra o machismo, contra o patriarcado e contra a misoginia, que diuturnamente, e em episódios como este, ainda mostram suas faces ferozes e gritando em nossa cara que não se trata da “roupa”, nem do “local, mas sim de que nessa estrutura social somos “apenas” mulheres e nossos corpos podem ser subjugados e roubados de dignidade.
Nossa expectativa é de que Giovanni Quintella Bezerra responda criminalmente sobre o ocorrido e que o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro o puna de maneira exemplar.
É preciso que façamos também um debate mais amplo sobre violência obstétrica que vitima milhares de mulheres nos hospitais brasileiros. O ocorrido com esta mãe foi absurdo e, não é um caso isolado, é fundamental que haja acolhimento, melhores estruturas, formação de profissionais e políticas públicas contundentes para acabar de vez com mais essa faceta da violência contra a mulher.