XIX Congresso: mesa de debate chama a atenção para importância da unidade e luta sindical para o combate ao controle do trabalho docente

Na tarde da quinta-feira, dia 27, a segunda mesa do XIX Congresso Estadual de Educação do SINTESE, trouxa o tema: ‘Entre Metas e pressões: controle do trabalho docente, avaliação em larga escala e saúde de professoras e professores’.

Em um momento em que nossa categoria sofre com pressões; assédio; controle do seu fazer pedagógico; imposição de pacotes educacionais prontos e avaliações que visa apenas criminalizar e culpabilizar professoras e professores, sem qualquer análise profunda das diferentes realidades do chão da escola, a segunda mesa do nosso Congresso chama os trabalhadores da educação não só a reflexão, mas também à resistência.

Debateram a temática a professora Maria Carlotto, da Universidade Federal do ABC; o professor André Martins, da Universidade Federal de Juiz de Fora e o professor Afonso Celso, secretário Geral do Sinpro- Rio.

A professora Maria Carlotto alertou para os riscos que a plataformização e que a digitalização trazem para o ensino e para a sala de aula, na medida em que centralizam e sevem de mecanismos de controle das aulas, conteúdos e da liberdade de ensino dos professores, em desrespeito a atividade pedagógica.

“O impacto sobre o ensino e a aprendizagem é devastador. Mas também tem um outro aspecto muito grave que é sobre o próprio trabalhador e trabalhadora da educação, porque o processo de plataformização tenta tirar de nós a interação olho no olho para um espaço digital, onde está tudo já mais ou menos parametrizado, como a aula deve ser dada. A gente perde a autonomia e perdendo autonomia, a gente perde inclusive a qualidade daquilo que a gente é capaz de ensinar”, aponta com preocupação.

A professora destacou ainda que a platarformização obriga professoras e professores a prestar contas de tudo aquilo que faz e como tal pressão têm contribuído para o adoecimento da categoria.

“O nosso trabalho não é preencher plataformas ou formulários. O nosso trabalho é ensinar, é interagir com os alunos, é preparar aula, é pesquisar para dar aula, é estar em sala de aula, então tem também uma mudança do nosso trabalho, tem tido um impacto muito negativo em termos de sofrimento e de adoecimento”, pontua.

O professor André Martins fez questão de enfatizar o quanto a autonomia pedagógica é fundamental para o trabalho do professor e que quando esta autonomia é corrompida o professor e a professora não se encontram no trabalho.

“O professor, na medida que não se reconhece como o sujeito do seu trabalho, não trata o aluno e a aluna como um sujeito da aprendizagem. E consequentemente, isso esgarça e destrói a relação professor-aluno, comprometendo toda a perspectiva de formação. Então, acho que o grande desafio é recuperarmos o princípio da autonomia pedagógica do professor, recuperar a autonomia do trabalho é recuperar efetivamente a condição da professora e do professor, da aluna e do aluno como sujeitos. E é isso que nós estamos defendendo aqui ao enfatizarmos a importância da autonomia pedagógica”, conclui o professor.

O secretário geral do Sinpro- Rio, professor Afonso Celso, colocou o que em sua opinião é o principal fator de adoecimento de professoras e professores: o controle docente.  O dirigente sindical é autor do livro ‘O Mantra’, no qual trata justamente a respeito da sobrecarga de trabalho docente.

“Hoje o principal fator de adoecimento é o excesso de controle com que a nossa profissão tem sido vista pela sociedade. E esse controle é de qualquer coisa que você faz em sala de aula. Somam-se ainda os baixos salários e o excesso de trabalho, a um cenário de perseguição do fazer docente, que busca culpabilizar professores pelo fracasso da educação, enquanto na verdade o fracasso está no modelo educacional e não dos professores em si”, avalia.

O principal ponto de convergência entre as falas foi sobre a necessidade de resistir e de seguir em unidade. Os debatedores fizeram questão de destacar o importante papel da organização e da luta sindical para o enfrentamento ao controle do trabalho decente a resistência aos pacotes educacionais prontos, na construção de uma escola e educação emancipadora.

 

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